• Thiago Meister Carneiro

Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado

cálice-sagrado-posterLançado em 1975, essa obra-prima do Monty Python foi produzida durante o intervalo entre a terceira e quarta temporadas do Flying Circus.

Em contraste com o primeiro filme do grupo, “E Agora Para Algo Completamente Diferente”, Em Busca do Cálice Sagrado foi composto de material novo, e por isso é muitas vezes considerado o primeiro filme.

Recebeu uma indicação para o Prêmio Hugo de Melhor Apresentação Dramática, em 1976, mas perdeu para “Um Menino e Seu Cachorro”.

Este filme é o número 41 na lista dos “100 filmes mais engraçados”, do canal Bravo. Em 2000, os leitores da revista Total Film votaram neste filme como a quinta maior comédia de todos os tempos. O próximo filme do grupo, A Vida de Brian, ficou em primeiro lugar.

Clique aqui para ler o roteiro do filme (em inglês).

FICHA TÉCNICA:

Dirigido por Terry Gilliam e Terry Jones

Produzido por Mark Forstater e Michael White

Escrito por Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones e Michael Palin

Narrado por Michael Palin

Estrelando: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin

Distribuído por EMI Films (Sony Pictures Entertainment)

Duração: 87 minutos (original) / 89 minutos (relançamento)

Idiomas: Inglês, francês e latim

Orçamento: £ 229,575 (cerca de R$ 737 mil)

Bilheteria: £ 80.371.739 (cerca de R$ 258 milhões)

ENREDO
Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado segue a lenda do Rei Arthur (Graham Chapman) que, juntamente com seu escudeiro Patsy (Terry Gilliam), recruta os Cavaleiros da Távola Redonda, incluindo Sir Bedevere, o Sábio (Terry Jones), Sir Lancelot, o Bravo (John Cleese), Sir Robin Não-Tão-Bravo-Quanto-Sir-Lancelot (Eric Idle) e Sir Galahad, o Puro (Michael Palin). Além do Apropriadamente Chamado Sir-Que-Não-Aparece-Nesse-Filme (“interpretado” por William Palin, filho de Michael).

01No caminho, Arthur enfrenta o Cavaleiro Negro (Cleese), que, apesar de ter tido todos os seus membros decepados, insiste em lutar. Eles chegam à Camelot, mas Arthur decide não entrar, pois “é um lugar bobo”.

Então, são instruídos por Deus (representado por um desenho do jogador de críquete WG Grace) a buscar o Cálice Sagrado.

Sua primeira parada é um castelo francês, onde são insultados em uma espécie de “Franglais” (francês + inglês. O equivalente ao nosso portunhol).

Cansados dos insultos, os cavaleiros tentam se infiltrar no castelo usando um Coelho de Troia, mas o plano dá errado quando percebem que se esqueceram de se esconder dentro do Coelho.

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O jogador de críquete WG Grace, em foto de 1895

Arthur decide, então, separar o grupo, para que cada um procure o Cálice Sagrado por si só.

Ao mesmo tempo, um historiador moderno está descrevendo a lenda do Rei Artur para um programa de televisão. De repente, ele é morto por um homem a cavalo, provocando uma investigação policial.

arthur-knight-blackCada um dos cavaleiros encontra vários perigos em sua busca. Arthur e Bedevere tentam satisfazer os estranhos pedidos dos Cavaleiros que Dizem Ni! e Sir Robin foge “bravamente” de uma briga com o Gigante de Três Cabeças.

Sir Lancelot invade uma festa de casamento no Castelo do Pântano, acreditando equivocadamente estar salvando uma bela princesa, mas que, na verdade, é um menino efeminado. Sir Galahad é atraído por um farol em forma de Cálice para o Castelo Anthrax, habitado apenas por mulheres que desejam realizar favores sexuais, mas ele é “resgatado” por Lancelot.

Os cavaleiros se reencontram e viajam até encontrarem Tim, o Mago (Cleese), que lhes aponta a caverna onde a localização do Cálice Sagrado está escrita nas paredes.

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Para entrar na caverna, o grupo é obrigado a derrotar o Coelho de Caerbannog usando a Santa Granada de Mão de Antioquia. Eles entram na caverna e são atacados pela lendária Besta Negra de Aaaaarrrrrrggghhh, que devora o Irmão Maynard (Idle). Arthur e seus cavaleiros conseguem escapar porque o cartunista que estava fazendo a animação da besta (Gilliam) sofre um ataque cardíaco e morre.

Então o grupo chega até a Ponte da Morte, onde cada cavaleiro é obrigado a responder a três perguntas do Guardião da Ponte (Gilliam) antes de atravessá-la.

Arthur e Bedevere seguem viagem até o Castelo do Cálice Sagrado, mas descobrem que foi ocupado pelos mesmos franceses do outro castelo. Eles começam a xingar Arthur e Bedevere e os expulsam.

Então, Arthur forma um grande exército e se prepara para invadir o castelo. E a coisa mais nonsense e surreal acontece.

Não existem créditos finais nesse filme, apenas alguns minutos de música de órgão.

PRODUÇÃO
Segundo o site British Film Locations, o filme foi rodado em locações na Escócia, particularmente em torno do Castelo Doune e no Castelo Stalker.

O Castelo de Camelot, que os cavaleiros desistem de ir, realmente é uma maquete.

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O Rei Arthur foi o único personagem cuja malha da armadura era autêntica. A malha da armadura usada por seus cavaleiros era lã pintada de prata, que ajudava a protegê-los do frio que fazia.

God-monty-pythonO filme foi co-dirigido por Terry Gilliam e Terry Jones, o primeiro grande projeto para ambos e o primeiro projeto em que todos os membros dos Pythons estavam por trás da câmera. Isto foi problemático, pois Jones e Gilliam tinham diferentes estilos de direção, e muitas vezes não estava claro quem estava no comando.

Os outros Pythons preferiam Jones, que focou mais no desempenho, ao contrário de Gilliam, cujo sentidos visuais admiravam, mas que, às vezes, era muito exigente.

No comentário em áudio do DVD, Cleese expressa irritação em uma cena no castelo de Anthrax, onde ele diz que Gilliam focou os aspectos técnicos, em vez da comédia.

Nos próximos dois filmes, A Vida de Brian e O Sentido da Vida, Jones é o único diretor.

Monty-Python-rabbit_400Como narrado na Autobiografia dos Pythons, Graham Chapman estava sofrendo de acrofobia (medo de altura) e crises de esquecimento durante as filmagens, resultado do vício de álcool.

Quase três anos após o Em Busca do Cálice Sagrado, Chapman prometeu parar de beber completamente (ele conseguiu em dezembro de 1977).

Originalmente, os personagens eram cavaleiros que montavam cavalos reais. Mas, por causa do pequeno orçamento, tiveram de tirar os cavalos do roteiro.

Eles decidiram, então, que seria mais engraçado se usassem cocos e mímica para representar os cavalos. E isso também gerou a piada “cocos migram?”.

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Por razão do uso dos cocos, na versão que saiu na Alemanha o título foi traduzido como Die Ritter der Kokosnuss (Os Cavaleiros dos Cocos).

Em setembro de 2013, um fã editou o filme e publicou na internet como se fosse um trailer moderno:

DVD
O primeiro DVD foi lançado em 1999 e teve cerca de duas páginas de notas de produção e trailers de outros lançamentos da Sony Pictures.

Em 23 de outubro de 2001, a edição especial de DVD foi lançada. Um disco inclui duas faixas comentadas (com Idle, Palin e Cleese no primeiro, Jones e Gilliam no segundo), as “legendas para pessoas que não gostam de cinema” (que consiste em frases retiradas de “Henrique IV”, de Shakespeare), e um recurso para quem tem dificuldade de audição, onde o menu é lido em voz alta por Jones.

Com a mania do grupo em nunca obedecer a seriedade, o filme começa com um curta chamado “Dentista no Trabalho”. Após os créditos de abertura desse curta, o projecionista (Jones) percebe que é o filme errado e coloca o correto.

Além disso, há uma cena deletada onde Galahad conversa com Dingo no Castelo de Anthrax, durante a qual ela foge da personagem, vira para a câmera e pergunta ao público se deve cortar a cena. Sua resposta é todo mundo gritando “Vamos logo com isso!” (incluindo Deus). (A caixa de DVD diz que a cena deletada é de apenas 24 segundos).

O disco Dois inclui uma versão da “Canção de Camelot”, interpretada por bonecos Lego e duas cenas dubladas em japonês. “Em Busca dos Locais do Cálice Sagrado”, apresentado por Michael Palin e Terry Jones, em que eles mostram os lugares na Escócia que foram usados como cenário (os dois Pythons compram uma cópia de seu próprio roteiro como guia). Também está incluso um “Quem é Quem?”, galeria de publicidade e um extra sobre o uso adequado de um coco (apresentada por Palin).

ELENCO
Graham Chapman: Rei Arthur, a voz de Deus, Guarda com soluço e a cabeça do meio do Cavaleiro de Três Cabeças;

John Cleese: Sir Lancelot, Cavaleiro Negro, Guarda Francês e Tim, o Mago;

Terry Gilliam: Patsy, o velho da cena 24, o Guardião da Ponte, Cavaleiro Verde, Sir Bors (o primeiro a ser morto pelo Coelho Assassino), o animador da Besta e a mão do gorila;

Eric Idle: Sir Robin, o coletor de mortos, o Guarda confuso do Castelo do Pântano, Concorde (escudeiro do Sir Lancelot), Roger, o vendedor de Shrubber e o Irmão Maynard;

Terry Jones: Sir Bedevere, a mãe de Dennis, a cabeça esquerda do Cavaleiro de Três Cabeças, Príncipe Herbert e um Cavaleiro Francês;

Michael Palin: Sir Galahad, Dennis, a cabeça direita do Cavaleiro de Três Cabeças, o Rei do Castelo do Pântano, o monge assistente do Irmão Maynard, o principal Cavaleiro que Diz “Ni”, narrador e um Cavaleiro Francês;

Neil Innes: Menestrel do Sir Robin e o escudeiro esmagado pelo Coelho de Tróia;

Connie Booth: A Bruxa;

Carol Cleveland: Zoot e Dingo;

John Young: O historiador.

TRILHA SONORA
Além de várias músicas escritas por Neil Innes, várias faixas foram licenciadas da biblioteca de músicas De Wolfe (a mesma empresa que vendeu as músicas para o clássico Emanuelle e Doctor Who).

As músicas do filme (junto com alguns diálogos) saíram no “Álbum da Trilha Sonora do Trailer do Filme Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado”.

Elas incluem:

Ice Floe 9, de Pierre Arvay. Usada durante os créditos iniciais.

Countrywide, de Anthony Mawer. Usado ainda durante os créditos iniciais, após a demissão dos responsáveis pelos créditos.

Homeward Bound, de Jack Trombey. Usado como tema heróico do Rei Arthur.

The Flying Messenger, de Oliver Armstrong. Durante a invasão equivocada de Sir Lancelot no Castelo do Pântano.

The Promisse Land, de Stanley Black. Usada na cena em que Arthur se aproxima do castelo na ilha.

Starlet in the Starlight, de Kenneth Essex. Brevemente usada nas tentativas do Príncipe Herbert de cantar.

Love Theme, de Peter Knight. Também usada brevemente para o príncipe Herbert.

01OUTRAS LÍNGUAS
“Los caballeros de la mesa cuadrada” (Agentina e Uruguai)

“Monty Pythons galna värld” (Suécia)

“Monty Python sacré graal” (França)

“Οι Ιππότες της Ελεεινής Τραπέζης (Grécia)

“Монти Пайтън и свещеният граал” (Bulgária)

“Gyalog galopp” (Hungria)

“Los caballeros de la mesa cuadrada y sus locos seguidores” (Espanha)

“Monti Paison ando hôrii gurairu” (Japão)

“Monti Pajton – Sveti gral” (Sérvia)

“Monty Python a svatý grál” (República Tcheca)

“Monty Python i Swiety Graal” (Polônia)

“Monty Python og de skøre riddere” (Dinamarca)

“Monty Python og ridderne av det runde bord” (Noruega)

“Monty Pythonin hullu maailma” (Finlândia)

MAKING OFF – PARTE 1

MAKING OFF – PARTE 2

Mais Coisas Pythonescas:

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 35 anos na cara. Foi para Camelot, mas desistiu de entrar porque era um lugar muito idiota.