• Thiago Meister Carneiro

“A Vida de Brian” Não é Sobre Jesus

Desde que o Monty Python lançou o filme “A Vida de Brian”, em 1979, ele causou polêmica.

Foi taxado de tudo quanto é palavrão, mas, principalmente, foi acusado de blasfêmia.

Grupos religiosos que acusaram o grupo de blasfemo, o fizeram baseando-se no fato de que o filme satiriza a vida de Jesus Cristo, e tira sarro do Salvador.

Só que tem algo errado nessa afirmação acima, pois o filme “A Vida de Brian” não satiriza a vida de Jesus Cristo, e nunca teve esse objetivo.

Não é difícil chegar a uma conclusão que prova que Monty Python não satiriza o filho de Deus com esse filme, e listo aqui alguns fatos que provam isso:

1. Na cena inicial, os Três Reis Magos confundem a manjedoura de Jesus com a manjedoura de outro bebê, no caso, de Brian.

Aqui, é a primeira vez em que vemos que Jesus e Brian são pessoas distintas (portanto, não podemos afirmar que “é um filme sobre Jesus”). Segundo o evangelho de Mateus (2,1-12), a estrela que os guiou até o nascimento do menino Jesus, apenas o fez até Belém. Nada diz sobre a manjedoura exata.

Se, na época, Belém era um povoado, existiam, então, muitas casas. Portanto, a hipótese de que eles teriam procurado pela manjedoura em meio às casas não deve ser evitada.

Logo depois que os Três Reis Magos percebem que visitaram a manjedoura errada e entregaram os presentes à Mandy Cohen (a mãe de Brian), eles vão à manjedoura vizinha, a de Jesus.

Reparem que Maria, José e Jesus estão cobertos por um halo sagrado. Isso demonstra o respeito que os pythons tiveram ao caracterizar a Sagrada Família.

Os três reis magos: mais confusos que o Batman

2. No Sermão da Montanha, as pessoas não conseguem ouvir direito o que Jesus dizia.

Bem, de acordo com o evangelho de Mateus (5,1-11) “Vendo Jesus a grande multidão subiu a um monte e assentou-se”. Isso quer dizer que uma “grande multidão” foi prestigiá-lo.

De acordo com o dicionário Houaiss, multidão significa “grande quantidade de seres”.

Se a Bíblia fala em “grande multidão”, e o termo “multidão” já significa “grande”, então uma “grande multidão” quer dizer que tinha gente pra caramba lá.

Se Jesus teve de falar para uma “grande multidão”, então ele teve de escolher o mais alto dos montes que tinha por ali, afim de que todos pudessem vê-lo e ouvi-lo.

Na cena do Sermão da Montanha de “A Vida de Brian”, o Monty Python não focou a fala de Jesus, mas algumas pessoas que estavam bem longe Dele, e que não conseguiam ouvi-lo direito.

O Monty Python foi acusado de blasfemar a santidade de Jesus Cristo nessa cena. Mas a verdade é que ninguém (mas ninguém mesmo!) consegue falar tão alto que o som chegue a uma distância como aquela.

E outra, quando Jesus aparece, uma música calma o acompanha, além do halo em volta de seu corpo.

O sermão da montanha: “Fala mais alto!”

3. A crucificação

Crucificação era um ato comum durante o Império Romano. Era uma forma de tortura imposta para quem tinha ideias contrárias ao regime.

A crucificação não era um símbolo religioso, mas de tortura. Apenas isso.

De acordo com o site da rádio Canção Nova, foi só após a conversão do imperador Constantino (que morreu no ano 337), que a cruz deixou de ser usada como condenação e tornou-se o símbolo da vitória de Cristo e o sinal dos cristãos.

O Monty Python foi acusado de tirar sarro do sofrimento de Jesus na cruz. Só que Ele não foi o único a ser crucificado. Logo, quando Brian foi crucificado junto de outros (o roteiro dizia 140 cruzes, mas na cena tinha apenas 23 delas), existiu apenas uma severa crítica à prática da tortura.

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“Quem não gosta de A Vida de Brian levante a mão!”

Ou seja, “A Vida de Brian” não é um filme sobre Jesus, não zomba da vida de Jesus e nem é sobre religião.

Mais Coisas Pythonescas:

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 35 anos na cara. Foi para Camelot, mas desistiu de entrar porque era um lugar muito idiota.