Entrevista

Primeiro filme de Terry Gilliam é relançado em blu-ray

A Coleção Criterion lançou nesta semana uma edição especial do primeiro filme da carreira-solo do membro do Monty Python Terry Gilliam, Jabberwocky (que, no Brasil, foi lançado como Jabberwocky – Um Herói Por Acaso).

Por isso, para falar sobre a edição comemorativa dos 40 anos do lançamento do primero filme de Terry Gilliam, o jornal The New York Times o entrevistou, que falou sobre Monty Python e seu próximo lançamento, O Homem que Matou Dom Quixote.

ENTREVISTA

Pra início de conversa, ele disse que assistiu ao filme novamente pela primeira vez em 25 anos. “Eu pensei, ‘Deus, eu era bom. Muito melhor do que agora”.

A crítica do New York Times chamou Jabberwocky de um enteado de Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado. Isso foi uma escolha consciente?
“Eu pensei em pessoas como Pasolini. Foi o que estava na minha cabeça. Eu não pensei em nada além disso. Talvez subconscientemente, mas não conscientemente”.

Um dos atores do filme o Sr. [Terry] Jones. Você o viu desde o anúncio de que ele tem demência, em 2016?

“Sabíamos o que estava acontecendo muito antes do anúncio, o que é terrível. Você vê um amigo, alguém que você conhece muito bem, meio que desaparecendo. Seu corpo está lá. Ele parece ótimo, vestido lindamente. Mas o cara que eu conhecia – o cara que constantemente discutia comigo – não vive mais nesse corpo. E é muito triste porque não há nada que se possa fazer sobre isso.”

DOM QUIXOTE

Como está a produção pós-produção de “O Homem Que Matou Dom Quixote”?

“Bem, quase terminando. Estamos apenas brincando agora, descobrindo algumas coisas aqui e ali. Ainda temos alguns meses de trabalho para fazer os efeitos visuais, som, música. Eu sempre hesito em ficar otimista ou animado com o trabalho que estou fazendo. Prefiro ficar cínico e distante disso. Quando você se apaixona por algo, é doloroso quando não funciona”.

Quero perguntar sobre a reunião de Monty Python no O2 Arena, em 2014. Você disse que não te encheu de emoção.

“Como animador, sempre tive menos a fazer. Como intérprete, não estou no mesmo nível que os outros. Todos são brilhantes. Eu posso fazer certos personagens grotescos que os outros não fizeram. Eu sou bom nesses. Mas estávamos tendo mais diversão do que o público e sendo pagos para fazer. Foi ótimo. Era bom estar trabalhando juntos novamente.

Por fim, a reunião foi a última vez que vocês estiveram juntos como um grupo?

“Não, temos almoços de negócios algumas vezes por ano. Mike e Terry vivem a cinco minutos de onde eu moro, então estamos bastante perto. John e Eric parecem ser mais nômades. Sendo assim, eu acho que os shows de O2 foram os últimos do Monty Python, na verdade, como um grupo fazendo algo grande”.

Thiago Meister Carneiro

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 42 anos na cara. Às vezes grava vídeos para o canal "Monty Python Brasil" no youtube e às vezes assiste Monty Python na Netflix. Autor dos livros "A História (quase) Definitiva de Monty Python" e "O Guia da Carreira-Solo dos Membros do Monty Python".

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