John Cleese fala sobre criatividade para a revista Forbes

Ontem, o site da revista Forbes publicou uma matéria sobre a Criatividade Libertadora de John Cleese.

E esse é um assunto que o membro do Monty Python domina, assim como a criatividade no trabalho.

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De acordo com ele, as pessoas que não têm isso não a reconhecem.

A criatividade não tem de ser ensinada, tem de ser libertada.

“Os psicólogos escrevem sobre criatividade como marcianos tentam descrever o sexo”, disse. “Há um monte de pessoas altamente inteligentes, mas que são incapazes disso”.

OVELHAS

Em uma matéria da revista Forbes sobre a formação da criatividade, John Cleese contou que o primeiro esquete que ele co-escreveu com Graham Chapman para o Flying Circus foi o das Ovelhas Voadoras, apesar de só ter entrado no segundo episódio.

Os dois sentiram que precisavam se livrar de um monte de convenções criadas anteriormente das comédias de tevê (sem estar absolutamente certos do que aconteceria).

Quando eles se reuniram para planejar o primeiro programa, perceberam que suas ideias não estavam os animando. Parecia que nem eles estavam achando graça daquilo que escreviam. “Então, percebemos que nada ia acontecer se não fôssemos para casa escrever”, contou Cleese.

Na manhã seguinte, Chapman e Cleese se sentaram e ficaram se olhando, sem ideia alguma. Como de costume, John pegou a enciclopédia Roget’s Thesaurus e começou a falar palavras aleatoriamente: “Ranúnculo. Filtro. Catástrofe. Alegria. Despencar”.

E, então, Graham disse: “Ah, eu gosto da palavra despencar”.

Alguns minutos se passaram sem que um dos dois falasse algo.

“Uma ovelha despencaria, não despencaria?”, perguntou um deles.

“Se ela tentasse voar, você quer dizer?”, perguntou o outro.

“Mas por que ela gostaria de voar?”.

“Para escapar”.

Com esse diálogo completamente nonsense, John Cleese e Graham Chapman começaram a escrever o esquete que foi o primeiro filmado para a série (o motivo para só ter ido ao ar no segundo episódio é que eles ficaram nervosos e ansiosos, então decidiram deixá-lo para transmiti-lo mais tarde).

Mas funcionou.

Por fim, o texto só pôde ser escrito porque eles foram para casa, senão não funcionaria. “Aqueles que querem libertar a sua criatividade precisa ser deliberado sobre como criar as condições da qual emerge”, disse, para a Forbes.

“Frequentei boas escolas, e nenhum professor percebeu que eu tinha alguma criatividade. Ela não tem de ser ensinada, tem de ser libertada”.

Thiago Meister Carneiro

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 40 anos na cara. Às vezes grava o podcast "Pythoneando" e às vezes assiste Monty Python na Netflix. Autor dos livros "A História (quase) Definitiva de Monty Python" e "O Guia da Carreira-Solo dos Membros do Monty Python"

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