• Thiago Meister Carneiro

Flying Circus: Os Gêmeos Piranha

01No dia 15 de setembro de 1970, foi ao ar o episódio “Face the Press”, da série Monty Python’s Flying Circus.

Nesse episódio, o grupo nos apresentou uma dupla do barulho, que apronta muita confusão: Os irmãos Piranha.

FROG
O documentário “Ethel the Frog” (sem razão alguma para ter esse nome, é claro!) cobre as façanhas dos fictícios irmãos Doug e Dinsdale Piranha, que usam de “violência e sarcasmo” para intimidar o submundo de Londres.

Ah, e fazer a cidade ficar de joelhos.

Durante a entrevista para o falso documentário, Dinsdale contou que morre de medo de “Norman Espinhoso” (uma animação de Terry Gilliam), um ouriço gigante e, possivelmente, fruto da cabeça do criminoso bobão.

INSPIRAÇÃO
Tá, mas de onde surgiram esses irmãos Piranha?

Acontece que, entre os anos 1950 e 1960, dois irmãos, donos de clubes noturnos de Londres, fizeram a fama: Reggie e Ronnie Kray.

Os gêmeos Kray

Não demorou muito para os dois passarem a sair nos jornais e revistas ao lado dos seus clientes, todos da alta sociedade como atores, músicos, modelos e esportistas ingleses.

Logo, os gêmeos se tornaram figuras pop da Inglaterra.

Só que nem tudo eram flores. Algum tempo depois, a polícia descobriu que Reggie e Ronnie eram criminosos, e logo viraram lendas do crime.

É claro que o Monty Python aproveitou-se disso.

Os gêmeos Kray (ambos interpretados por Tom Hardy, no filme “Legend”)

No falso programa, o “Ethel the Frog”, eles satirizam até o policial que perseguia os irmãos Piranha: Harry “Snapper” Organs, foi vagamente baseado no policial que liderou a investigação contra os gêmeos Krays, o detetive superintendente Leonard “Nipper” Read.

Além de gozar com a reputação dos Kray, o Monty Python satirizou também a condescendência de alguns setores da sociedade britânica frente aos escândalos envolvendo os gêmeos (houve quem os comparasse a Robin Hood, ou escrevesse artigos e livros em defesa dos dois. Teve até quem tentou interceder por eles logo após serem presos).

Mais Coisas Pythonescas:

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 35 anos na cara. Foi para Camelot, mas desistiu de entrar porque era um lugar muito idiota.