Monty Python – Como Tudo Começou

monty-pythonPara tentar entender essa miscelânea que é o Monty Python, temos que voltar lá pelos idos de 1960.

E foi mais ou menos assim que tudo começou…

Universidade de Oxford. Durante a apresentação da peça “Fuente Ovejuna”, do espanhol Lope de Vega, Terry Jones (que estava na plateia) chegou a comentar que “foi a coisa mais engraçada que eu já vi.

Ele se referia, principalmente, ao ator que fazia o papel do Terceiro Camponês, um tal de Michael Palin.

Segundo Palin, a peça é sobre camponeses do século XV, quase tão divertida como ter os dentes do siso arrancados sem anestesia.

Logo depois dessa peça, Palin e seu colega Robert Hewison se juntaram com Jones e começaram a escrever roteiros de sátiras e paródias de programas de televisão.

Passaram a fazer parte do grupo teatral da universidade, o Oxford Revue, que também contou com Rowan Atkinson (o Mr. Bean), Dudley Moore e Richard Curtis.

Esse grupo existe até hoje, mas nunca mais nos apresentou pessoas com aguçado senso de humor como esses.

Paralelamente à história dos jovens de Oxford, acontecia outro fato interessante na Universidade de Cambridge.

O grupo de teatro Cambridge University Footlights Dramatic Club tinha um braço cômico, chamado de “Cambridge Footlights Revue”. E é nesse braço cômico que vamos focar agora.

Fizeram parte desse grupo os nossos amigos Graham Chapman, John Cleese e Eric Idle. Além de Douglas Adams, Stephen Fry e Hugh Laurie (o Dr. House).

Em 1964, eles viajaram para os EUA e se apresentaram na Broadway, onde conseguiram apresentar alguns esquetes no programa Ed Sullivan Show.

Foi então que Cleese conheceu Terry Gilliam, e ficaram amigos.

Ainda em 1964, o trio Palin-Hewison-Jones escreveu para uma mostra sobre a pena de morte chamada Hang Down Your Head and Die. A partir daí, Hewison pulou fora, e Palin e Jones levaram seus roteiros para o Festival de Edimburgo.

Foi nesse festival que Palin conheceu Eric Idle.

De 1964 a 1969, todos os seis Pythons (que ainda não eram Pythons) trabalharam em diversas séries de rádio e televisão, sempre aprimorando o seu estilo de humor.

Certo dia, Graham Chapman e John Cleese foram chamados pela BBC para criarem uma nova série de televisão que fosse diferente.

Foi então que Cleese lembrou-se de Terry Gilliam, aquele americano que fazia umas animações nonsenses, e sabia que tinha gostado do trabalho de Michael Palin, e os convidou para se juntarem à equipe.

Palin concordou e sugeriu o envolvimento de Terry Jones e Eric Idle.

E então, no dia 5 de outubro de 1969, o mundo virou de ponta-cabeça.


E Robert Hewison, o colega de Michael Palin?

Hoje em dia, ele é historiador e escritor. Lançou mais de vinte livros, entre eles “Monty Python, The Case Against Irreverence, Scurrility, Profanity, Vilification, and Licentious Abuse (Monty Python: O Caso Contra Irreverência, Vulgaridade, Profanidade, Difamação e Abuso Licencioso)”.

Em uma entrevista, Michael Palin disse que foi Hewison que o convenceu a ganhar a vida fazendo as pessoas rirem.

Thiago Meister Carneiro

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 39 anos na cara. Às vezes grava o podcast Pythoneando, e às vezes assiste Monty Python na Netflix. Autor do livro "A História (quase) Definitiva de Monty Python" e do ebook "O Guia da Carreira-Solo dos Membros do Monty Python"

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *