• Thiago Meister Carneiro

Michael Palin: “Assistir Monty Python era uma Forma de Protesto”

Em uma entrevista para o jornal português Diário de Notícias, Michael Palin confessou que não gosta de ser considerado o membro do Monty Python que é simpático.

Segundo ele, é uma verdadeira mancha em sua reputação. “Talvez preferisse ser o menos desagradável”, afirma.

DEBATE
Palin esteve na cidade de Viseu, em Portugal, onde participou do festival literário “Tinto no Branco”, onde falou sobre vários assuntos, como sua amizade com Terry Jones, suas viagens e, é claro, Monty Python.

Acompanhe aqui um trecho da entrevista que Palin deu aos jornais Diário de NotíciasPúblico:

Já deu alguma entrevista em que não lhe fizessem perguntas sobre o Monty Python?
“Sim, e não foram assim tão poucas porque em certas partes do mundo os Pythons não são muito conhecidos. É o caso da Índia ou da China, onde me conhecem mais pelas viagens”

Alguma vez já se cansou de falar sobre o Monty Python? Honestamente.
“Canso se for pura repetição. Mas estou sempre grato por haver pessoas interessadas nos Pythons, porque é fascinante saber o que as pessoas em Portugal, no Brasil ou na Polônia pensam sobre o grupo”

Se tivesse de escolher qual dos Pythons é o melhor amigo, quem seria?
“Ainda bem que não preciso fazer essa escolha. Era muito próximo de Terry Jones, conhecia bem o Terry Gilliam, John é uma boa pessoa. É preciso ver que somos os únicos no mundo que fomos Monty Python, ou seja, há algo especial que nos reúne. Portanto, gosto de todos”

Você participou do filme A Morte de Stálin. O gênero humor negro é o que melhor define um ditador?
“É um filme que pretende satirizar os que estão no poder e como ficaram perdidos os que estavam à sua volta quando ele morre. Há muito humor, porque o poder ridiculariza”

É um bom gênero para fazer um filme sobre Trump?
“Talvez a melhor forma de o retratar seja a sátira, mas deve ser difícil porque ele criou um personagem tão cômico que é difícil recriar”

Qual dos esquetes do Monty Python você elege como o mais extraordinário?
“Tenho dois de que gosto muito. Um é o Papagaio Morto, com John, que foi ao encontro do imaginário dos espectadores. Sempre o achei engraçado e gosto de representar no palco. Mostra como pode haver duas formas de lidar com uma situação, com um dos personagens reclamando e o outro fingindo que não tem nada de mais. É o grande clássico. Também há um muito pequeno, The Fish Slapping Dance, também com o John, em que fazemos um estranho ritual inglês. É o melhor teste para saber quem tem humor. Se não se rir com este, nada mais o fará rir”

O humor era mais livre naquela época e os espectadores menos politicamente corretos?
“Estávamos numa época muito perigosa no mundo: a luta pelos direitos civis na América, a guerra no Vietnã, a Guerra Fria… Esse era o cenário de fundo para a nossa escrita e muita gente que no estrangeiro via Monty Python sofria com regimes repressivos. Éramos muito populares na Iugoslávia nos últimos dias de Tito porque as pessoas viam em nós o equivalente à confusão que se passava no país. Assistir Monty Python era uma forma de protesto”

Já se imaginam num regresso em hologramas ou digitalizados?
“Quanto ao futuro, não sei o que será. Podem fazer robôs como nós, mas os Pythons serão sempre parte do futuro e não do passado”

Mais Coisas Pythonescas:

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 35 anos na cara. Foi para Camelot, mas desistiu de entrar porque era um lugar muito idiota.