• Thiago Meister Carneiro

Flying Circus: A Guerra Contra a Pornografia na Inglaterra

Monty Python nasceu em um momento delicado.

No fim dos anos 1960, a Inglaterra estava passando por um momento crítico e, talvez, por uma das suas maiores crises políticas, e a censura estava cada vez mais acirrada.

O país estava cada vez mais polarizado com a disputa entre grupos de esquerda e de direita, e um assunto que incomodava muito as donas-de-casa britânicas (e a “gente de bem”), era a pornografia.

Senhoras iam às ruas com cartazes “denunciando” cenas pornográficas na televisão, cinema, teatro e – pasmem! – em museus.

Até o diretor-geral da BBC, Charles Curran, se incomodava com isso. É famosa uma frase de sua autoria: “A sociedade permissiva já foi longe demais!”. Sua gestão na emissora ficou marcada como uma gestão reacionária.

O conservadorismo de Curran quase fez com que o Monty Python não existisse.

PORNOGRAFIA
Para tirar sarro dessa situação desconfortável, o que o Monty Python fez? Cruzou os braços?

Não! Eles atacaram! E, no dia 23 de novembro de 1972, foi ao ar o episódio “The War Against Pornography (A Guerra Contra a Pornografia)”, na série Monty Python’s Flying Circus.

O primeiro esquete chama-se “Tory Housewives Clean-up Campaign (Campanha de Limpeza das Donas de Casa de Tory)”, e mostra o trabalho dessas senhoras para salvar o país do mal.

Tory é o antigo nome do atual Partido Conservador do Reino Unido, que é composto pela aristocracia britânica. A atual primeira-ministra, Theresa May, é filiada a esse partido.

TORY
Narrado por Eric Idle, o vídeo mostra que “são as donas de casa britânicas que fazem as coisas funcionarem”.

Segundo o livro “Monty Python’s Flying Circus Complete and Annotated”, os pythons interpretam donas-de-casa satirizando a figura da ativista de direita Mary Whitehouse.

Informação pertinente: A música “Pigs”, do Pink Floyd, fala de algumas personalidades conservadoras, inclusive de Mary Whitehouse

O esquete segue com as senhoras combatendo a sociedade permissiva dentro de museus, onde aparecem obras de arte cobertas (inclusive Davi de cueca, e a Vênus de Milo de vestido).

Mais Coisas Pythonescas:

Jornalista e Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 35 anos na cara. Foi para Camelot, mas desistiu de entrar porque era um lugar muito idiota.