• Thiago Meister Carneiro

A BBC Quase Se Recusou A Produzir Fawlty Towers

Fawlty Towers, uma das séries mais engraçadas do mundo, quase que não foi produzida pela BBC, pois o editor de roteiros a considerou “um desastre”.

É o que contou o jornal The Telegraph, neste domingo.

SÉRIE
Primeiro, vamos explicar ao leitor o que diabos é Fawlty Towers: quando John Cleese saiu da série Monty Python’s Flying Circus (na quarta temporada), ele e sua então esposa, Connie Booth, escreveram uns roteiros sobre um gerente de hotel chamado Basil Fawlty, que aprontava mil e uma confusões.

Saiba Mais Em: Fawlty Towers, de John Cleese e Connie Booth

Já faz 40 anos desde a sua estreia na tevê inglesa. A comédia, uma mistura de “farsa com comédia física”, segundo o jornal, ainda atrai milhões de espectadores quando é reprisada.

Mas, no começo, ela não foi tratada com o merecido respeito. Se Ian Main, um editor de roteiros do Departamento de Entretenimento da BBC, tivesse batido o pé, a série nunca teria visto a luz.

HISTÓRIA
Em 1974, John Cleese e Connie Booth receberam a encomenda de escrever o piloto de uma nova série. Quem encomendou foi o então chefe da BBC Comédia e Entretenimento, James Gilbert.

O roteiro, baseado em uma experiência esquisita que os pythons passaram em um hotel na cidade de Torquay, no litoral inglês, acabou caindo nas mãos do editor de roteiros, cujo trabalho era fornecer um veredito inicial sobre os roteiros recebidos na BBC.

Nada impressionado, Ian Main condenou o roteiro do episódio piloto, e escreveu um memorando para Gilbert, em 29 de maio de 1974.

“Eu achei esse roteiro tão terrível quanto o seu título. Uma coleção de clichês e personagens com ações que eu não posso ver sendo qualquer coisa senão um desastre”.

Outros executivos da BBC esnobaram o roteiro. Cleese contou do fato ao se lembrar de um amigo que ouviu três produtores conversando no bar da BBC, onde chegaram à conclusão que o roteiro não era bom, e qual seria o motivo dele ter deixado o Monty Python.

SALVADOR
Mas o experiente e influente Gilbert acreditava na capacidade de Cleese e Booth (e no perfeccionismo dos dois, que passavam cerca de seis semanas trabalhando em cada episódio), e não ia ser influenciado pelas opiniões negativas.

Gilbert foi o Salvador da série, definitivamente.

Ele não concordou com as opiniões de que o roteiro continha um monte de personagens clichês.

Qualquer um que tenha visto o dono do hotel maníaco agressivo, Basil (Cleese), sua esposa, a amarga Sybil (Prunella Scales), o mal utilizado garçom espanhol Manuel (Andrew Sachs) e a camareira sã Polly (Booth) em ação consegue perceber que são personagens brilhantemente construídos, cujas personalidades só somam à graça dos roteiros.

MANUEL
Andrew Sachs, agora com 85 anos, disse que foi um privilégio trabalhar com John Cleese.

“Meu personagem foi brilhantemente escrito, com energia e invenção cômica. Nós todos trabalhamos bem juntos, éramos uma boa empresa familiar”.

Ele se lembra de quando lhe foi oferecido o papel. “Quando John me falou sobre o personagem, eu disse que não tinha certeza se poderia fazer um sotaque espanhol. Pedi para fazer um garçom alemão, já que é a minha primeira língua”.

ESTREIA
Quando o primeiro episódio, “A Touch of Class”, foi ao ar no dia 19 de setembro de 1975, parecia que Ian Main, o editor de roteiros, tinha razão. Muitos críticos odiaram ou ignoraram a série, mas o crítico Philip Purser, do jornal The Sunday Telegraph a considerou “verdadeiramente original”.

Assim, a audiência foi crescendo, e Cleese e Booth (que estavam se divorciando) voltaram com mais seis roteiros em 1979. Apenas 12 episódios de Fawlty Towers foram produzidos, mas são os 12 episódios da comédia mais sublime desde Monty Python Flying Circus.